Ao observarmos o comportamento
humano, perceberemos que sua motivação é por vezes baseada em uma atitude
reflexiva racional, e outras vezes, na expressão do inconsciente irracional e
profundo.
Essa dicotomia entre o racional e
o impulsivo era expressa pelos gregos através dos mitos de Dionísio e Apolo,
que apesar de serem irmãos, eram absolutamente opostos.
Apolo era o Deus da razão, filho
de Zeus. Ele era a personificação da luz que elimina as trevas da ignorância ou
insensatez, ele representava a ordem e organização para a resolução de
conflitos e a tomada de atitude baseada na racionalidade.
Era de uma beleza divina,
inalcançável, da perfeita harmonia, ordenava o caos, mesmo que precisasse ser
duro e impiedoso.
Todavia, ao mesmo tempo, Apolo
não obteve sucesso em seus amores, as histórias que viveu, em sua maioria,
acabam em morte; como uma forma de representar a dificuldade de tornar
inteligíveis as questões do coração.
Se por um lado Apolo era o Deus
da organização, seu irmão Dionísio (também filho de Zeus) era a imagem da vida
inconsciente mais profunda, da realização dos desejos sem barreiras. Ele era o
Deus do vinho, dos prazeres carnais e dos ciclos vitais.
Dionísio é o deus da intensidade,
se expressa através da transgressão, das fortes paixões, dos exageros
alimentares, dos entorpecentes. Ao contrário de seu irmão, que observava os
homens pela distância da razão, Dionísio se aprofundava na vivência das paixões
humanas, a tudo se permitia, vivendo intensamente os prazeres e sofrimentos
mundanos.
Enquanto Apolo estabelece uma
rigidez da ordem que pode se tornar extremamente limitante e autodestrutiva,
Dionísio caminha no caminho oposto, levando em consideração a efemeridade da
vida, larga-se às paixões inconscientes, aos vícios mais intensos, adotando uma
conduta extremamente instável.
E assim somos nós, humanos,
detentores das duas possibilidades existenciais (apolínea e dionisíaca), em
conflitos eternos entre a tomada da razão e a entrega aos desejos, ora tendendo
para um lado, ora para outro.
Ao perder o equilíbrio que nos
seria saudável, nos vemos às vezes muito perto dos extremos que estão situados
a beira do penhasco, resta-nos resgatar algum caminho de reencontro com a tendência
que foi suprimida.


"A virtude está no meio!" Muito bom, Camila! Curti!
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