segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Entre Dionísio e Apolo

Ao observarmos o comportamento humano, perceberemos que sua motivação é por vezes baseada em uma atitude reflexiva racional, e outras vezes, na expressão do inconsciente irracional e profundo.


Essa dicotomia entre o racional e o impulsivo era expressa pelos gregos através dos mitos de Dionísio e Apolo, que apesar de serem irmãos, eram absolutamente opostos.
Apolo


Apolo era o Deus da razão, filho de Zeus. Ele era a personificação da luz que elimina as trevas da ignorância ou insensatez, ele representava a ordem e organização para a resolução de conflitos e a tomada de atitude baseada na racionalidade.
Era de uma beleza divina, inalcançável, da perfeita harmonia, ordenava o caos, mesmo que precisasse ser duro e impiedoso.
Todavia, ao mesmo tempo, Apolo não obteve sucesso em seus amores, as histórias que viveu, em sua maioria, acabam em morte; como uma forma de representar a dificuldade de tornar inteligíveis as questões do coração.

Se por um lado Apolo era o Deus da organização, seu irmão Dionísio (também filho de Zeus) era a imagem da vida inconsciente mais profunda, da realização dos desejos sem barreiras. Ele era o Deus do vinho, dos prazeres carnais e dos ciclos vitais.

Dionísio

Dionísio é o deus da intensidade, se expressa através da transgressão, das fortes paixões, dos exageros alimentares, dos entorpecentes. Ao contrário de seu irmão, que observava os homens pela distância da razão, Dionísio se aprofundava na vivência das paixões humanas, a tudo se permitia, vivendo intensamente os prazeres e sofrimentos mundanos.

Enquanto Apolo estabelece uma rigidez da ordem que pode se tornar extremamente limitante e autodestrutiva, Dionísio caminha no caminho oposto, levando em consideração a efemeridade da vida, larga-se às paixões inconscientes, aos vícios mais intensos, adotando uma conduta extremamente instável.

E assim somos nós, humanos, detentores das duas possibilidades existenciais (apolínea e dionisíaca), em conflitos eternos entre a tomada da razão e a entrega aos desejos, ora tendendo para um lado, ora para outro.


Ao perder o equilíbrio que nos seria saudável, nos vemos às vezes muito perto dos extremos que estão situados a beira do penhasco, resta-nos resgatar algum caminho de reencontro com a tendência que foi suprimida.

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