terça-feira, 28 de julho de 2015

Barba-Azul e os Efeitos do Machismo na Alma Feminina


Em seu livro Mulheres que Correm com o Lobos, Clarisse Pinkola Estés aborda a lenda do Barba Azul e sua correlação com o predador interno feminino.

A origem da obra

“O Barba Azul” é uma obra que foi escrita no século XVI por Charles Perrault que, pelo que acreditam os estudiosos de contos de fada, foi inspirada na história de Gilles de Rais, um nobre do século XIV.
Gilles de Rais foi um francês da nobreza, criado por seu avô, o que o teria influenciado a desenvolver tendências para a soberba e o narcisismo. Com o tempo, desenvolveu uma personalidade agressiva, cometendo seu primeiro assassinato aos 15 anos, quando matou um amigo em duelo, mas como era da nobreza, não chegou a responder por isso.
Entrou para a carreira militar e lutou nas batalhas do lado de Joana D´Arc, por quem desenvolveu uma grande admiração, ficando terrivelmente perturbado após a morte dela.

Quando acabou a guerra e depois de receber a notícia da morte de sua musa, foi se fechando cada vez mais, se tornando sombrio e solitário. Foi viver em um de seus castelos em Tiffauges, onde começou a realizar suas perversões.
Foi suspeito do sumiço de mais de 1000 crianças que dizia ter enviado a Inglaterra para virarem padres. Em um clima de magia negra, Gilles praticava atos bizarros com sua vitimas: estupros, torturas e assassinatos que veio a confessar mais tarde. Em um de seus surtos, chegou a confessar cerca de 200 crimes e se disse arrependido por tê-los praticado.
Essas declarações assustaram a comunidade francesa na época que o tomavam por herói. Em 1440, com aproximadamente 35 anos, Gilles foi enforcado e seu corpo queimado.

O Barba Azul – Resumo da história

Na história de Charles Perrault, o personagem barba azul é um homem muito rico que assustava as mulheres por quem se interessava, devido à sua feiura e à sua barba profundamente azul.
A lenda conta que certa vez, o Barba-Azul se encantara ao mesmo tempo por duas moças filhas de uma distinta dama da região, indo pedir à mãe a mão de uma de suas filhas. Mas devido à sua aparência assustadora e ao fato de o paradeiro de suas ex-mulheres ser um mistério, as meninas, de imediato, não o aceitaram.

No entanto, para encantar a família, ele levou a mãe, as filhas e alguns amigos para sua casa de campo onde ofereceu banquetes, danças e toda sorte de agrados.
Depois desse passeio, a irmã mais nova da distinta dama, vendo o quanto o dia havia sido agradável para todos, mudou seus conceitos sobre o Barba-Azul, começou a acha-lo um homem razoável e assim, no dia seguinte, se casaram.
Após um mês de casados, o Barba-Azul foi viajar e deixou com sua esposa um molho de chaves para que pudesse usufruir de todos os bens do castelo e até mesmo chamar convidados para entretê-la, enquanto ele estivesse fora. Disse que ela poderia fazer o que quisesse, menos entrar em um dos aposentos, localizado ao final de um longo corredor.
Quando o marido não está em casa, a esposa chama seus convidados, mas em meio a todo o movimento, não aguenta de curiosidade, foge sozinha e abre a porta proibida. A sala está bem escura, mas aos poucos seus olhos e acostuma e ela se depara com o horror: sangue pisado e os esqueletos das ex-mulheres do Barba-Azul.
Assustada, deixa a chave cair no chão, abaixa e a recolhe, tranca a porta e corre assustada para seus aposentos. Chegando ao seu quarto, ela se dá conta que a chave esta manchada de sangue. Ela corre para limpa-la, mas logo percebe que a chave esta encantada, o que torna essa tarefa impossível.
Com pavor de ser descoberta, ela esconde a chave. Mas assim que Barba-Azul volta, desmarcara sua esposa e declara que seu destino será como o das suas outras ex-mulheres. Ela ajoelha aos seus pés e pede desculpas, mas de nada adianta. Então, tendo a morte como certa, pede a Barba-Azul que a dê alguns minutos para fazer suas orações.
Enquanto seu marido sai, ela cautelosamente chama sua irmã Ana e lhe pergunta se os irmãos, que estavam vindo para visita-la, estavam chegando. O tempo que Barba-Azul lhe havia dado, já tinha acabado, ele já esbravejava como um trovão chamando-a, e nada dos irmãos. Nos últimos instantes em seu quarto, antes de descer para o aposento no qual o marido a esperava, Ana avista os irmãos chegando e a avisa.
A irmã mais nova não tem mais como escapar e é obrigada a descer até o quarto de sua morte. Barba-Azul ergue a espada para degola-la, mas antes que possa desferir o golpe, escuta um som aterrorizante, são os irmão que invadem a casa e matam o assassino.

Discussão do conto

Nos abismos do universo feminino, habitam forças desconhecidas, por vezes extremamente perigosas e que precisam ser confrontadas com habilidade para que a mulher que há em cada menina possa vir à tona e se desenvolver.
Nos recônditos do inconsciente de toda mulher, segundo defende Clarisse Pinkola Estés, há um predador que mina a criatividade, a intuição e toda a riqueza da personalidade feminina.
Como no conto do Barba Azul, a real natureza destrutiva dessa força interna não fica tão clara, o que faz com que muitas vezes sua vitima dê ouvidos às suas investidas. Quando não tem conhecimento de si e maturidade suficiente para lidar com sua profundidade, a mulher facilmente é levada a deixar-se mutilar por esse terrível opressor da alma feminina.
A mulher que se deixa dominar pelo predador da psique, como acontece com as ex-mulheres de Barba-Azul, tem sua feminilidade e beleza dissecadas. Embora sua força de mulher não seja eternamente destruída, sobram-lhe apenas os ossos ensanguentados.
O Barba-azul tenta confundir a ideia que a mulher tem dele, a ludibria com seu poder e toma como vitima às mulheres que ainda não tem sua intuição tão fortalecida.
Apesar de interno, esse predador tem por vezes seu poder reforçado por condições externas, como culturas extremamente machistas e opressoras, o que dificulta ainda mais esse confronto.
A mulher que se vê vitima desse inimigo interno, sem o confrontar, pode por vezes virar vitima também de opressores externos, como parceiros abusivos que a agridam, seja fisicamente ou minando seu potencial criativo.


Efeitos do Machismo

Longe de fazermos um julgamento de que ter barba seja sinônimo de machismo, no contexto dessa história, devemos considerar sua simbologia.

A barba é um dos símbolos mais fortes desse conto, é ela que assusta as mulheres que se aproximam do vilão, que sentem naquela imagem um mau agouro. A barba tem, de fato, uma representação social de masculinidade, do poder do homem, levando-nos a associar o barba-azul como representante claro do mais extremo e destrutivo machismo na alma da mulher.
Nós viemos de uma longa historia de machismo que feriu, extremamente, a alma dos homens e das mulheres. Os homens foram, por muito tempo, privados de vivenciar livremente seus sentimentos e sensibilidade e, as mulheres reclusas a papeis sociais desvalorizados, como personagens coadjuvantes cuja criatividade e intuição nunca foram valorizadas.
Hoje, apesar de vivermos um momento em que essa sombra da sociedade tem sido abertamente confrontada, ainda se observam seus efeitos sociais e psíquicos na construção da mulher na sociedade, e alguma vezes ainda assistimos a mulheres que se vem obrigadas a se masculinizar para serem aceitas em algumas posições sociais.
Precisamos perceber que não só a mulher concreta é vitima do machismo, mas todas as qualidades associadas à mulher, tais como sensibilidade, intuição e criatividade. Esses poderes ainda são muito marginalizados, tornando ainda mais difícil para a mulher conseguir enfrentar seu predador interno e realizar o seu potencial feminino.
O caminho para o desenvolvimento da alma feminina está em conseguir confrontar seus fantasmas, desarmar o predador e fortalecer em sua jornada sua sensibilidade e intuição.
Seja social como intimamente, essa força destrutiva precisa ser corajosamente enfrentada para que a força das qualidades masculinas, fixadas no machismo, possam se transformar e auxiliar a mulher em seu desenvolvimento social e na expressão dos seus mais profundos talentos.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Transtornos de Ansiedade: Síndrome do Pânico e o Deus Pã da Arcádia


Deus dos campos, dos pastores, caçadores e rebanhos, Pã era representado como uma figura velha, dotada de orelhas, chifres e pernas de bode, segurando uma flauta de sete tubos feita de caniços que recolhera em sua corrida atrás da ninfa Syrinx que o rejeitara.

Por vezes considerado filho de Zeus (Júpiter) e em outros textos como filho de Hermes (Mercúrio), era temido por todos que precisavam atravessar as florestas à noite. Seu nome deu origem à palavra Pânico, já que os viajantes que entravam em seu território eram acometidos por um pavor súbito desprovido de causa aparente frente à solidão e à escuridão que se fazia nessa travessia.

Pã é a representação da natureza, do instintivo, da vitalidade. Ele encanta com sua música e ao mesmo tempo afugenta e persegue, enamorado, as ninfas pela floresta. Quando a noite chega em seus domínios,  ele se torna o símbolo da vivência do medo paralisante, o individuo não consegue voltar e nem seguir em frente, fica aprisionado no próprio pavor.


A floresta é muitas vezes associada como o símbolo do inconsciente. Nesses domínios de Pã, a pessoa se vê de frente com si-mesma e seu mundo interior, com sua própria natureza, é uma vivência de confrontação com a própria sombra, encontro esse que pode apavorar e paralisar.
Essa é a experiência vivida pelo sujeito acometido pela síndrome do pânico, esse é um transtorno de ansiedade que se dá em picos intensos, em questão de 10 minutos o paciente já está tomado. A síndrome se caracterizada pela vivência do desespero, a pessoa sente que algo trágico como a morte ou o enlouquecimento irá lhe acometer e que ninguém poderá ajuda-la. A respiração fica ofegante, o paciente apresenta sudorese e aceleração do batimento cardíaco.
Essa experiência é a de encontro com os próprios limites, vendo-se incapaz de lidar com as mortes simbólicas, o organismo vivencia o exagero do desamparo como forma de lidar com o que o assusta.
Assim como o viajante que está nos caminhos de Pã fantasia inúmeros perigos baseados em pequenos ruídos inofensivos, o sujeito com pânico fantasia fenômenos catastróficos baseados em acontecimento muitas vezes nada representativos do ponto de vista objetivo.
O único meio para não se perder no terror dos caminhos noturnos desse Deus da Arcádia e de dominar o próprio pânico é pela elaboração dos conteúdos temerosos através da linguagem, possibilitando a criação de fronteiras para a imaginação.
A coragem também é ferramenta necessária para explorar a floresta escura e desconhecida, assim como também é essencial para desbravar os caminhos internos e conhecer as raízes dos próprios medos que nos assombram.
Esse confronto com nossa sombra é indispensável para nosso crescimento, fortalecimento e energização, nessa floresta do nosso inconsciente podemos encontrar tesouros escondidos que ao serem integrados ao nosso eu favorecerão nosso amadurecimento e nos tornarão mais bem preparados para os próximos desafios.
O Deus Pã não Morreu
Poema de Ricardo Reis (Heterônimo de Fernando Pessoa)
O Deus Pã não morreu, 
Cada campo que mostra
Aos sorrisos de Apolo
Os peitos nus de Ceres —
Cedo ou tarde vereis
Por lá aparecer
O deus Pã, o imortal.

Não matou outros deuses
O triste deus cristão.
Cristo é um deus a mais,
Talvez um que faltava.
Pã continua a ciar
Os sons da sua flauta
Aos ouvidos de Ceres
Recumbente nos campos.

Os deuses são os mesmos,
Sempre claros e calmos,
Cheios de eternidade
E desprezo por nós,
Trazendo o dia e a noite
E as colheitas douradas
Sem ser para nos dar o dia e a noite e o trigo
Mas por outro e divino
Propósito casual. 


terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O MITO DO HERÓI E O AUTOCONHECIMENTO

1 - Perseu Segurando a Cabeça da Medusa

As histórias de heróis se repetem desde tempos imemoriáveis, desde as mais antigas lendas, histórias literárias, até as mais incríveis produções cinematográficas, lá está sempre a mesma velha história: são aqueles que tiveram um grande chamado, seguiram uma visão, desbravaram aventuras, foram provados em relação aos seus limites e por fim saem vitoriosos, mais maduros e esclarecidos.

Mas porque será que essas histórias sempre se repetem em diversos momentos da história? E porque que elas atraem tanto a atenção dos leitores, historiadores, plateias de teatros e cinemas?

Porque de fato, a história do herói é uma representação da busca individual que todos têm para encontrar seu caminho na própria vida. Somos chamados por algum ideal ou desejo, e a partir daí, se topamos o desafio, vamos vivendo os desafios até alcançar nossas metas.

Assim como o herói das histórias, nós também somos colocados constantemente em xeque, entre parar ou seguir, entre fugir ou enfrentar, entre aventuras ou desventuras. E o que está em jogo nessa busca, é a construção de nossa própria identidade.

Eu vou construindo a pessoa que eu sou à medida que vou me relacionando com as pessoas e tomando escolhas (ainda que nem sempre tão conscientes) em relação às questões que a vida me trás.
Somos o que já fizemos e o que ainda iremos fazer, por isso que do ponto de vista filosófico, o homem é sempre um projeto inacabado.

Sou o resultado das escolhas que faço e da maneira como me relaciono com as pessoas e com o que me acontece. No momento em que a vida me coloca obstáculos, assim como acontece com o herói, vou desvendando minhas seguranças e medos, minhas fortalezas e minhas fraquezas.


O Autoconhecimento é, então, esse olhar atento para perceber como me comporto e como me sinto nas batalhas e na calmaria, e me percebendo, reconhecer o que deve ou não permanecer igual em mim.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Sonhos – Entre Freud e Jung

Freud

Na abordagem freudiana os sonhos são considerados expressões do desejo inconsciente, oculto pela censura imposta pelo Superego, e que encontram um espaço de realização no universo onírico. Nesse sentido, o papel do analista freudiano é o de encontrar no sonho a expressão oculta desses desejos (significado) que está escondido no enredo da história (a fachada), para trazê-lo a consciência e propiciar o autoconhecimento.
Jung
Já no campo da abordagem Junguiana, os sonhos são considerados a expressão de nossa força vital, mostrando aspectos de nós mesmos ou da realidade que nos cerca que representam pontos cegos, aspectos que estão poucos claros ou totalmente desconhecidos, que, no ensejo do sonho, são trazidos à consciência para serem elaborados.


Interpretação dos Sonhos

  1. Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de Uma Romã um Segundo Antes de Acordar - Salvador Dali
Embora os sonhos possam parecer muitas vezes desconexos e absurdos, é importante compreender que o universo onírico tem linguagem e lógica próprias, que vão sendo desvendadas durante a análise.
A interpretação dos sonhos na abordagem Junguiana é como o trabalho de um detetive que vai captando pistas, descobrindo junto com o sonhador seus significados e associações para reconstituir a lógica do sonho e sua mensagem que, ao ser elaborada, é integrada à personalidade e colabora para o processo de individuação do analisando.
Os sonhos podem trazer mensagens literais, por exemplo, podemos sonhar que alguém que na vida real é extremamente calmo, age de maneira raivosa; nesse caso a mensagem do sonho pode ser um alerta para uma raiva contida que está encoberta pela calma aparente do sujeito real.
No entanto, quando a mensagem mais óbvia e literal do sonho não traz nada de novo, não desvenda nenhum ponto cego (Ex. Sonhar que alguém que conscientemente já sabemos que é grosseiro, age de forma rude) o verdadeiro significado do sonho ainda não foi encontrado e no trabalho terapêutico será necessário se aprofundar na simbologia dos elementos do sonho.

Sonhos que se repetem

Quando temos sonhos reincidentes precisamos entender que há algo que ainda não foi corretamente percebido, sua mensagem ainda permanece oculta ao sonhador ou não gerou uma transformação real que se faz necessária.
Acontece muitas vezes de o sonho se repetir cada vez com maior intensidade ou o mesmo sonho ser vivenciado desde a infância, esses sonhos carregam uma mensagem importante, por essa razão é essencial dar uma cuidadosa atenção para eles.

Pesadelos
Filme: O Exorcista

Os pesadelos assustam o sonhador justamente por tratarem-se de mensagens urgentes que ele tem resistência em entrar em contato. Por trazerem um conteúdo que exige nossa atenção de maneira intensa, é importante não menospreza-los e leva-los para a analise.

Conteúdos Mitológicos

O Mito de Sísifo

Os sonhos podem também apresentar conteúdos mitológicos que de alguma forma se identificam com o complexo do analisando. São expressões arquetípicas das camadas mais primitivas da psique humana que se revelam através de uma nova roupagem.
Nesse sentido, o conhecimento dos mitos que subjazem o enredo do sonho podem ajudar no processo de elaboração dos sonhos.

Interpretar os próprios sonhos

Como os sonhos trazem conteúdos que de outra maneira estariam inconscientes, é comum que  sonhador tenha resistência e dificuldades de entrar em contato com seu verdadeiro significado.

Assim como ao fazermos uma auto analise, sem a ajuda do analista pode auxiliar a esclarecer pontos obscuros, ao interpretarmos nossos próprios sonhos podemos incorrer em um processo de auto engano, fugindo do confronto como nossa sombra.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Entre Dionísio e Apolo

Ao observarmos o comportamento humano, perceberemos que sua motivação é por vezes baseada em uma atitude reflexiva racional, e outras vezes, na expressão do inconsciente irracional e profundo.


Essa dicotomia entre o racional e o impulsivo era expressa pelos gregos através dos mitos de Dionísio e Apolo, que apesar de serem irmãos, eram absolutamente opostos.
Apolo


Apolo era o Deus da razão, filho de Zeus. Ele era a personificação da luz que elimina as trevas da ignorância ou insensatez, ele representava a ordem e organização para a resolução de conflitos e a tomada de atitude baseada na racionalidade.
Era de uma beleza divina, inalcançável, da perfeita harmonia, ordenava o caos, mesmo que precisasse ser duro e impiedoso.
Todavia, ao mesmo tempo, Apolo não obteve sucesso em seus amores, as histórias que viveu, em sua maioria, acabam em morte; como uma forma de representar a dificuldade de tornar inteligíveis as questões do coração.

Se por um lado Apolo era o Deus da organização, seu irmão Dionísio (também filho de Zeus) era a imagem da vida inconsciente mais profunda, da realização dos desejos sem barreiras. Ele era o Deus do vinho, dos prazeres carnais e dos ciclos vitais.

Dionísio

Dionísio é o deus da intensidade, se expressa através da transgressão, das fortes paixões, dos exageros alimentares, dos entorpecentes. Ao contrário de seu irmão, que observava os homens pela distância da razão, Dionísio se aprofundava na vivência das paixões humanas, a tudo se permitia, vivendo intensamente os prazeres e sofrimentos mundanos.

Enquanto Apolo estabelece uma rigidez da ordem que pode se tornar extremamente limitante e autodestrutiva, Dionísio caminha no caminho oposto, levando em consideração a efemeridade da vida, larga-se às paixões inconscientes, aos vícios mais intensos, adotando uma conduta extremamente instável.

E assim somos nós, humanos, detentores das duas possibilidades existenciais (apolínea e dionisíaca), em conflitos eternos entre a tomada da razão e a entrega aos desejos, ora tendendo para um lado, ora para outro.


Ao perder o equilíbrio que nos seria saudável, nos vemos às vezes muito perto dos extremos que estão situados a beira do penhasco, resta-nos resgatar algum caminho de reencontro com a tendência que foi suprimida.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A importância dos mitos

Posêidon


Os mitos exercem um papel de grande importância no processo de estruturação da personalidade e individuação.


São metáforas das vivências da alma humana em seus desafios na busca da autoconsciência e desenvolvimento. 

Por essa razão, existe uma relação intima entre as histórias que nos contam as mitologias e nossos conflitos individuais. 

Nesse blog você encontrará discussões sobre diversos mitos, provocando uma reflexão sobre o papel dessas histórias para a elaboração simbólica das temáticas da vida cotidiana.