terça-feira, 2 de dezembro de 2014

O MITO DO HERÓI E O AUTOCONHECIMENTO

1 - Perseu Segurando a Cabeça da Medusa

As histórias de heróis se repetem desde tempos imemoriáveis, desde as mais antigas lendas, histórias literárias, até as mais incríveis produções cinematográficas, lá está sempre a mesma velha história: são aqueles que tiveram um grande chamado, seguiram uma visão, desbravaram aventuras, foram provados em relação aos seus limites e por fim saem vitoriosos, mais maduros e esclarecidos.

Mas porque será que essas histórias sempre se repetem em diversos momentos da história? E porque que elas atraem tanto a atenção dos leitores, historiadores, plateias de teatros e cinemas?

Porque de fato, a história do herói é uma representação da busca individual que todos têm para encontrar seu caminho na própria vida. Somos chamados por algum ideal ou desejo, e a partir daí, se topamos o desafio, vamos vivendo os desafios até alcançar nossas metas.

Assim como o herói das histórias, nós também somos colocados constantemente em xeque, entre parar ou seguir, entre fugir ou enfrentar, entre aventuras ou desventuras. E o que está em jogo nessa busca, é a construção de nossa própria identidade.

Eu vou construindo a pessoa que eu sou à medida que vou me relacionando com as pessoas e tomando escolhas (ainda que nem sempre tão conscientes) em relação às questões que a vida me trás.
Somos o que já fizemos e o que ainda iremos fazer, por isso que do ponto de vista filosófico, o homem é sempre um projeto inacabado.

Sou o resultado das escolhas que faço e da maneira como me relaciono com as pessoas e com o que me acontece. No momento em que a vida me coloca obstáculos, assim como acontece com o herói, vou desvendando minhas seguranças e medos, minhas fortalezas e minhas fraquezas.


O Autoconhecimento é, então, esse olhar atento para perceber como me comporto e como me sinto nas batalhas e na calmaria, e me percebendo, reconhecer o que deve ou não permanecer igual em mim.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Sonhos – Entre Freud e Jung

Freud

Na abordagem freudiana os sonhos são considerados expressões do desejo inconsciente, oculto pela censura imposta pelo Superego, e que encontram um espaço de realização no universo onírico. Nesse sentido, o papel do analista freudiano é o de encontrar no sonho a expressão oculta desses desejos (significado) que está escondido no enredo da história (a fachada), para trazê-lo a consciência e propiciar o autoconhecimento.
Jung
Já no campo da abordagem Junguiana, os sonhos são considerados a expressão de nossa força vital, mostrando aspectos de nós mesmos ou da realidade que nos cerca que representam pontos cegos, aspectos que estão poucos claros ou totalmente desconhecidos, que, no ensejo do sonho, são trazidos à consciência para serem elaborados.


Interpretação dos Sonhos

  1. Sonho Causado Pelo Voo de uma Abelha ao Redor de Uma Romã um Segundo Antes de Acordar - Salvador Dali
Embora os sonhos possam parecer muitas vezes desconexos e absurdos, é importante compreender que o universo onírico tem linguagem e lógica próprias, que vão sendo desvendadas durante a análise.
A interpretação dos sonhos na abordagem Junguiana é como o trabalho de um detetive que vai captando pistas, descobrindo junto com o sonhador seus significados e associações para reconstituir a lógica do sonho e sua mensagem que, ao ser elaborada, é integrada à personalidade e colabora para o processo de individuação do analisando.
Os sonhos podem trazer mensagens literais, por exemplo, podemos sonhar que alguém que na vida real é extremamente calmo, age de maneira raivosa; nesse caso a mensagem do sonho pode ser um alerta para uma raiva contida que está encoberta pela calma aparente do sujeito real.
No entanto, quando a mensagem mais óbvia e literal do sonho não traz nada de novo, não desvenda nenhum ponto cego (Ex. Sonhar que alguém que conscientemente já sabemos que é grosseiro, age de forma rude) o verdadeiro significado do sonho ainda não foi encontrado e no trabalho terapêutico será necessário se aprofundar na simbologia dos elementos do sonho.

Sonhos que se repetem

Quando temos sonhos reincidentes precisamos entender que há algo que ainda não foi corretamente percebido, sua mensagem ainda permanece oculta ao sonhador ou não gerou uma transformação real que se faz necessária.
Acontece muitas vezes de o sonho se repetir cada vez com maior intensidade ou o mesmo sonho ser vivenciado desde a infância, esses sonhos carregam uma mensagem importante, por essa razão é essencial dar uma cuidadosa atenção para eles.

Pesadelos
Filme: O Exorcista

Os pesadelos assustam o sonhador justamente por tratarem-se de mensagens urgentes que ele tem resistência em entrar em contato. Por trazerem um conteúdo que exige nossa atenção de maneira intensa, é importante não menospreza-los e leva-los para a analise.

Conteúdos Mitológicos

O Mito de Sísifo

Os sonhos podem também apresentar conteúdos mitológicos que de alguma forma se identificam com o complexo do analisando. São expressões arquetípicas das camadas mais primitivas da psique humana que se revelam através de uma nova roupagem.
Nesse sentido, o conhecimento dos mitos que subjazem o enredo do sonho podem ajudar no processo de elaboração dos sonhos.

Interpretar os próprios sonhos

Como os sonhos trazem conteúdos que de outra maneira estariam inconscientes, é comum que  sonhador tenha resistência e dificuldades de entrar em contato com seu verdadeiro significado.

Assim como ao fazermos uma auto analise, sem a ajuda do analista pode auxiliar a esclarecer pontos obscuros, ao interpretarmos nossos próprios sonhos podemos incorrer em um processo de auto engano, fugindo do confronto como nossa sombra.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Entre Dionísio e Apolo

Ao observarmos o comportamento humano, perceberemos que sua motivação é por vezes baseada em uma atitude reflexiva racional, e outras vezes, na expressão do inconsciente irracional e profundo.


Essa dicotomia entre o racional e o impulsivo era expressa pelos gregos através dos mitos de Dionísio e Apolo, que apesar de serem irmãos, eram absolutamente opostos.
Apolo


Apolo era o Deus da razão, filho de Zeus. Ele era a personificação da luz que elimina as trevas da ignorância ou insensatez, ele representava a ordem e organização para a resolução de conflitos e a tomada de atitude baseada na racionalidade.
Era de uma beleza divina, inalcançável, da perfeita harmonia, ordenava o caos, mesmo que precisasse ser duro e impiedoso.
Todavia, ao mesmo tempo, Apolo não obteve sucesso em seus amores, as histórias que viveu, em sua maioria, acabam em morte; como uma forma de representar a dificuldade de tornar inteligíveis as questões do coração.

Se por um lado Apolo era o Deus da organização, seu irmão Dionísio (também filho de Zeus) era a imagem da vida inconsciente mais profunda, da realização dos desejos sem barreiras. Ele era o Deus do vinho, dos prazeres carnais e dos ciclos vitais.

Dionísio

Dionísio é o deus da intensidade, se expressa através da transgressão, das fortes paixões, dos exageros alimentares, dos entorpecentes. Ao contrário de seu irmão, que observava os homens pela distância da razão, Dionísio se aprofundava na vivência das paixões humanas, a tudo se permitia, vivendo intensamente os prazeres e sofrimentos mundanos.

Enquanto Apolo estabelece uma rigidez da ordem que pode se tornar extremamente limitante e autodestrutiva, Dionísio caminha no caminho oposto, levando em consideração a efemeridade da vida, larga-se às paixões inconscientes, aos vícios mais intensos, adotando uma conduta extremamente instável.

E assim somos nós, humanos, detentores das duas possibilidades existenciais (apolínea e dionisíaca), em conflitos eternos entre a tomada da razão e a entrega aos desejos, ora tendendo para um lado, ora para outro.


Ao perder o equilíbrio que nos seria saudável, nos vemos às vezes muito perto dos extremos que estão situados a beira do penhasco, resta-nos resgatar algum caminho de reencontro com a tendência que foi suprimida.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

A importância dos mitos

Posêidon


Os mitos exercem um papel de grande importância no processo de estruturação da personalidade e individuação.


São metáforas das vivências da alma humana em seus desafios na busca da autoconsciência e desenvolvimento. 

Por essa razão, existe uma relação intima entre as histórias que nos contam as mitologias e nossos conflitos individuais. 

Nesse blog você encontrará discussões sobre diversos mitos, provocando uma reflexão sobre o papel dessas histórias para a elaboração simbólica das temáticas da vida cotidiana.