sexta-feira, 10 de abril de 2015

Transtornos de Ansiedade: Síndrome do Pânico e o Deus Pã da Arcádia


Deus dos campos, dos pastores, caçadores e rebanhos, Pã era representado como uma figura velha, dotada de orelhas, chifres e pernas de bode, segurando uma flauta de sete tubos feita de caniços que recolhera em sua corrida atrás da ninfa Syrinx que o rejeitara.

Por vezes considerado filho de Zeus (Júpiter) e em outros textos como filho de Hermes (Mercúrio), era temido por todos que precisavam atravessar as florestas à noite. Seu nome deu origem à palavra Pânico, já que os viajantes que entravam em seu território eram acometidos por um pavor súbito desprovido de causa aparente frente à solidão e à escuridão que se fazia nessa travessia.

Pã é a representação da natureza, do instintivo, da vitalidade. Ele encanta com sua música e ao mesmo tempo afugenta e persegue, enamorado, as ninfas pela floresta. Quando a noite chega em seus domínios,  ele se torna o símbolo da vivência do medo paralisante, o individuo não consegue voltar e nem seguir em frente, fica aprisionado no próprio pavor.


A floresta é muitas vezes associada como o símbolo do inconsciente. Nesses domínios de Pã, a pessoa se vê de frente com si-mesma e seu mundo interior, com sua própria natureza, é uma vivência de confrontação com a própria sombra, encontro esse que pode apavorar e paralisar.
Essa é a experiência vivida pelo sujeito acometido pela síndrome do pânico, esse é um transtorno de ansiedade que se dá em picos intensos, em questão de 10 minutos o paciente já está tomado. A síndrome se caracterizada pela vivência do desespero, a pessoa sente que algo trágico como a morte ou o enlouquecimento irá lhe acometer e que ninguém poderá ajuda-la. A respiração fica ofegante, o paciente apresenta sudorese e aceleração do batimento cardíaco.
Essa experiência é a de encontro com os próprios limites, vendo-se incapaz de lidar com as mortes simbólicas, o organismo vivencia o exagero do desamparo como forma de lidar com o que o assusta.
Assim como o viajante que está nos caminhos de Pã fantasia inúmeros perigos baseados em pequenos ruídos inofensivos, o sujeito com pânico fantasia fenômenos catastróficos baseados em acontecimento muitas vezes nada representativos do ponto de vista objetivo.
O único meio para não se perder no terror dos caminhos noturnos desse Deus da Arcádia e de dominar o próprio pânico é pela elaboração dos conteúdos temerosos através da linguagem, possibilitando a criação de fronteiras para a imaginação.
A coragem também é ferramenta necessária para explorar a floresta escura e desconhecida, assim como também é essencial para desbravar os caminhos internos e conhecer as raízes dos próprios medos que nos assombram.
Esse confronto com nossa sombra é indispensável para nosso crescimento, fortalecimento e energização, nessa floresta do nosso inconsciente podemos encontrar tesouros escondidos que ao serem integrados ao nosso eu favorecerão nosso amadurecimento e nos tornarão mais bem preparados para os próximos desafios.
O Deus Pã não Morreu
Poema de Ricardo Reis (Heterônimo de Fernando Pessoa)
O Deus Pã não morreu, 
Cada campo que mostra
Aos sorrisos de Apolo
Os peitos nus de Ceres —
Cedo ou tarde vereis
Por lá aparecer
O deus Pã, o imortal.

Não matou outros deuses
O triste deus cristão.
Cristo é um deus a mais,
Talvez um que faltava.
Pã continua a ciar
Os sons da sua flauta
Aos ouvidos de Ceres
Recumbente nos campos.

Os deuses são os mesmos,
Sempre claros e calmos,
Cheios de eternidade
E desprezo por nós,
Trazendo o dia e a noite
E as colheitas douradas
Sem ser para nos dar o dia e a noite e o trigo
Mas por outro e divino
Propósito casual. 


Um comentário:

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